It is always about ME
*****
Se eu fosse querer me descrever "decentemente", acho que seria chata como a
maioria das pessoas. Sabe, naquele esquema “ah, eu sou o máximo, todo mundo me
adora, sempre fui a mais inteligente da turma, a líder da galera dumal, a mais
divertida, diferente, interessante, legal e divertida.” Pffff!
Se eu fosse mesmo, teria 9348570349685 testemunhos comprovando isso e não
precisaria de recadinhos mal educados pelo perfil. Eu sou mêmo é um porre!
*********
Eu sou toda errada. Mas meus pais são perfeitos. Sabe aqueles que todo mundo diz
pra você que queria ter? São os meus. Bonitos, inteligentes, modernos,
carinhosos... se eu cobrasse aluguel, tava rica. O telefone lá de casa toca
muito mais pra eles que pra mim.
Bonita, eu? No máximo em algumas fotos em que eu dei sorte. Mas meus irmãos são
lindos. Por dentro e por fora. Tanto que tem até gente que imita, copia foto,
apelido, roupas e jeito de falar. Não duvido que muita gente queira estar no meu
lugar.
Eu não sou especial. Mas o homem da minha vida vai ser. Como tudo que me faz
feliz, se a definição de superlativo tivesse uma foto, seria a dele. Carinhoso,
inteligente, divertido, liiiiindo! A melhor parte da minha vida, o dono de cada
batida do meu coração. Apesar de não ter nada demais, tenho muita sorte. Não é
qualquer uma que tem um namorado que pode chamar de perfeito. Em todos os
detalhes.
Eu sou esquisita. Uma pessoa que não faz questão de colecionar amigos. Mas os 3
ou 4 que eu tenho são o máximo. Gente que conversa sem restrições, que diz o que
pensa sem medo de estragar tudo, que ri, que fala sério, que fica meses longe e
quando encontra parece que foi ontem. Gente que sabe que amizade é muito mais
que exigir. Até meus animais de estimação são demais pra mim. Os mais fofos,
engraçados, inteligentes e fiéis.
Tudo que eu tenho é incrível. Uma pena que eu não seja tão espetacular quanto o
que me cerca. Que eu não seja incrivelmente inteligente, que não goste de me
aparecer usando vocábulos abstrusos. Que eu não seja tão linda quanto essas
pessoas que podem usar roupinhas exibidas. (Que por ser tão estranha, eu nem
gosto.) Que eu não seja tão diferente a ponto de chamar a atenção no meio de uma
multidão. Que eu não choque as pessoas com o meu comportamento, com o meu visual
ou com as minhas palavras de pós-aborrescente rebelde. Que eu não seja
despreocupada o suficiente pra viver com cara de boba alegre. Que eu não seja
irresponsável o suficiente pra ser divertida como as outras pessoas. Que eu não
seja inconseqüente pra chamar a atenção...
Então enquanto eu não me tornar uma pessoa tão interessante quanto as outras,
melhor nem falar sobre mim...
Favoritos
Moda
Engraçadinhos
Intelectuais
Vizinhos
Famosos
Sopa Fria
Créditos
Desde
12/01/05
|
19.6.09
eu não gosto de cor de rosa
A forma de a minha mãe me convencer a ir pra escola aos 3 anos foi me dando uma lancheira vermelha da Mulher Maravilha. Que eu obviamente só poderia carregar se fosse de fato pra escola, socializar com outras crianças. Me orgulho da inteligência da minha mãe, viu?
Tudo ia bem, eu coloria com meu giz de cera vermelho enquanto Bárbara – aquela menina loira de olho azul que infernizou a vida de todo cerumano em idade escolar em algum ponto – e suas baba-ovo usavam o cor de rosa, naquelas mesinhas de 4 lugares do maternal. Bárbara não ficou contente em perceber que alguém não estava sob seu domínio.
- por que você pinta com vermelho?
- por que é mais bonito.
- não é.
- ok.
- então me deixa ver!
Ca-la-ro que Bárbara, vaca mirim, não poderia pegar um da mesa, tinha que ser o MEU. Tomou da minha mão e começou a gritaria. Mas como é mais fácil acreditar na criança loira de olho azul que na criança morena de olho verde que argumenta, Bárbara ganhou. Pergunta quando eu voltei pra escola de novo depois daquele dia. Não havia lancheira vermelha no mundo capaz de me levar praquele lugar de novo.
FIM.
***
Hahaha, mentira. [ah, jura?]
Sorte minha ser um gênio. Que aí não precisei da escola pra alfabetização e só voltei aos 6 anos, pra fazer a primeira série.
Gente, se eu falar que já me perdi, dá pra acreditar? Nem lembro mais porque tô falando disso. Acho que pra exemplificar a minha falta de habilidade pra vida social. Com o sexo oposto principalmente [aposto que ninguém tinha notado].
***
Aos 7 anos, estava eu na segunda série mais atribulada que um cerumano já teve. Terceiro bimestre, terceira escola das quatro em que eu estudaria naquele ano. Tinha acabado de voltar de uma curta temporada no interior e minha mãe ficou meio perdida na hora de escolher uma escola pra mim. Pra não perder o bimestre, me matriculou numa escola pública perto de casa.
Olha, rica eu nunca fui. Mas era filha mais velha, neta mais velha, tinha uma irmã bebê e mais nenhuma criança na família. Então carcula, néam? Todo mundo me enchendo de mimo, pais, avós, tios. Aí eu vou parar numa escola onde tem gente bem pobrezinha, não podia dar certo.
[Um dia eu explico como eu não sou uma pessoa preconceituosa e nem poderia, mas deixa isso pra lá agora e vai chamar a mãe de esnobe. Beijo!]
Paulo Eduardo se encantou pelo meu cabelo despenteado (eu tenho fotos pra provar o HORROR que era meu cabelo) e resolveu me presentear com um frasquinho de perfume, que eu não aceitei. E olha, foi difícil não aceitar, uma vez que o frasco era igualzinho a um saleiro da minha mãe que eu adorava. Recusei o presente, o pedido de namoro e um livro que ele ainda tentou me dar depois. Resultado: fui parar na diretoria, com direito à presença das mães dos dois, porque fui PRECONCEITUOSA.
Como sempre, eu chorei. Porque a solução pra tudo é chorar, minha gente.
Depois de tomar 128 sermões sobre como era feio recusar um presente só porque ele era simples, me deixaram falar.
E eu não aceitei o presente – que eu realmente adoraria ganhar, cês não tão entendendo o tanto que eu amava aquele saleiro – porque não achava justo aceitar o presente e não aceitar o namoro. Mas quando expliquei isso pro Paulo Eduardo, ele não compreendeu e achou que eu estava sendo esnobe. Depois que eu expliquei, Paulo Eduardo continuou não entendendo nada (não teríamos um futuro junto, apesar do bom gosto pra presentes do garoto), minha mãe se deu por satisfeita, mãe de Paulo Eduardo chorou e a diretora ficou com cara de caneca.
Na semana seguinte minha mãe me mudou pra uma escola de criança esnobe e fui feliz pra sempre.
***
Hahaha, mentira. [tá perdendo a graça, hein?]
Eu não fui rica (hahaha) pra sempre e tive um segundo episódio em escola pública. Mas o que posso fazer se pareço européia? Não é minha culpa, é a genética, gente! [/ironia]
Bom, não sei se é assim em toda escola pública, mas naquela tinha lanche fornecido pelo governo. Em alguns dias a fila era pequena, já que o cardápio era Tang super diluído e bolacha Maria de ontem. Em outros a fila ficava gigante, principalmente se tivesse leite com granulado e pão de cachorro quente com geléia. E era nesses dias em que eu entrava na fila. Geléia de morango é bom até quando é ruim, né?
Num desses dias, vendo minha figura de filé de borboleta e minha cara de européia frágil, três moleques-armário temidos por toda uma escola resolveram pegar meu lugar na fila.
Gente, não mexa com a minha comida. Acho que já falei sobre isso por aqui. É sério. Não mexa com a minha comida!
Chegaram os três cavalheiros do meu lado, quando eu estava a menos de 15 pessoas de pegar meu pão com geléia.
- é aqui mesmo que eu vou entrar na fila!
- não é não.
- é sim e eu quero ver quem vai impedir!
Olha, eu tenho dificuldades pra abrir garrafa de água mineral e pago mico pedindo pro atendente do restaurante. Eu só abro potes de palmito porque meu cérebro é muito maior que meus músculos. Eu apanhei dos meus irmãos a vida inteira, mesmo quando era muito maior que eles. Mas mexeram com meu pãozinho com geléia. Sei lá de onde veio a força e a tática, mas empurrei o menino-armário de forma que ele caiu lindamente no chão e nem seus dois capangas foram capazes de segurar.
Minha amiga só dizia no meu ouvido “meeeeeeeu, você vai morrer! E eu que vou ter que dar a notícia pra sua mãe! Por que você não deixou o maloqueiro entrar na sua frente e pronto?” totalmente apavorada.
Nisso o menino levanta e eu vejo toda minha vida passar diante dos meuzólhos. Ele respira fundo, olha no meu olho e diz:
- difícil achar alguém pra me enfrentar e pra me derrubar. Tem meu respeito. Não vou furar sua vez na fila.
Meu olho quase caiu da minha cara, minhas perninhas de grilo perderam a força e minha fome sumiu. Tive certeza que se a pobreza familiar durasse pra sempre, eu não viveria até os 20 anos. Se vivesse, viraria a dona de um morro, porque ó, difícil ficar quieta quando alguém fala grosso comigo, hein?
O inconveniente da situação foi que o garoto se apaixonou pela minha pessoa. E até o fim do ano, quando eu finalmente saí daquele futuro centro de detenção, recebi um milhão de cartas endereçadas à XIRRA – meu alter ego fortão – exaltando meus lindos olho marelo.
Vou fazer o que se não fui esculpida para as relações sociais, mas todo mundo se encanta pela minha pessoa?
Vanessa ♥ Jolie
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5.6.09
temdemsia
Eu sou fútil, sabe? Eu não assisto filmes com conteúdo, só leio livro ruim, assisto seriados sem grandes profundidades ideológicas, só gosto de falar sobre bobagem. Olhando, ninguém sabe a mente brilhante que mora dentro da minha cabeça. Interagindo também não. Melhor assim, que ninguém vai prever o golpe que eu vou dar pra dominar o mundo. Mas já estou divagando. [ah, jura?]
O caso é que eu gosto de moda. Eu tenho uns oito mil favoritos no navegador relacionados à moda. De blog a site soi-disant, nacional e internacional, que eu gosto e que não gosto, que eu tenho poder aquisitivo para e que não tenho. Eu gosto de moda e ponto.
Quem convive comigo já me viu fazendo minutos de silêncio por visuais catastróficos (porque né? Noção não vende nem na Renner nem na Daslu, então complica). E eu sei que dinheiro não é exatamente determinante na hora de se vestir direitinho. Mas eu tenho uma visão bem particular sobre moda. (Não que eu tenha um visual que imprima fashionismo, mas who cares?)
Se tem duas coisas que eu não sou nesta vida são trendsetter e fashion whore slave. Que eu gasto meia mesada em roupa, não é segredo pra ninguém. Mas que eu JAMAIS, enquanto eu viver, usarei uma calça cenoura, é outra coisa que todo mundo também sabe.
Capri e skinny podem ficar na moda por toda uma eternidade e eu nunca vou usar. Aquelas botas de bico não tão fino e meio quadradinho na ponta? NEM PENSAR. Saruel, regata, sandália, crocs, casaqueto ¾, manga morcego, oncinha em tom de marrom, ankle boot, amarelo, vermelho com roxo, bota de cowboy, boina, bermuda com scarpin, wayfarer de armação colorida são exemplos de coisas que podem ter vida eterna na moda e eu não vou vestir mánemapau.
Claro que nesta lista algumas coisas irritam mais que outras, mas meu pesadelo fashion do momento - um momento longo, devemos dizer – são as maledetas botas por fora da calça. Adoraria saber quem foi o hipnotizador que convenceu as pessoas de que isso era bom!
Porque gente naturalmente elegante e que fica bem até de jeans e all star, como gigele binxen, vá lá. Ou quem fica bem indo trabalhar até de pijama, como minha irmã, pode ser. Fica horrível do mesmo jeito, mas não parece jeca. E eu não gosto mesmo assim. O que o que tem de gente cruzando o meu caminho emulando Chico Bento na cidade grande, ó, vôticontá.
As caleguinhas dormem na aula de matemática em que a tia ensina proporção, achando que nunca mais vão usar na vida. Aí um dia juntam uma calça que não é tão justa com uma bota que não tem o cano alto o suficiente, com uma blusa que não para no ossinho em que deveria parar e POF, dá-se a catástrofe.
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Uma das temdemsias que eu gosto é xadrez. Taí uma estampa que me faz feliz. Pied-de-pule, argilé, burberry, tartan, qualquer um. Acho lindo e chique. Mas gente, é um pinguinho de falta de noção estética e toda a beleza do xadrez escorre pelo ralo. Gente muito moderna querendo combinar estampa sem saber como, usando xadrez de 8 cores com uma nona cor aleatória, errando no modelo da vestimenta, comprando aquele casaco evasê que tá na vitrine da Hering em tons de rosa. Dá até desgosto.
A única vantagem desse povo se jogando no xadrez errado e usando bota por fora da calça é não precisar avisar no convite da festa junina que o traje tem que ser a caráter.
Heh.
Beijoscompareçamnaminhafesta!
Vanessa ♥ Jolie
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14.5.09
noiva em fuga
pega uma coca, um doritos, senta confortavelmente, segura na mãodedels e vai
Ó, não vou dizer que eu seja imune a baratas. Não vou dizer que eu goste daquele *cleck* que ela faz pra se vingar de um pisão. Não vou dizer também que não me importo com aquela meleca nojenta que recheia seu corpitcho.
Mas medo mesmo eu tenho de cobra. [Nem vou me dar ao trabalho de esperar as risadinhas dos dementes que fizeram piada de mau gosto em suas cabeças. Get a doctor.] Mas assim, a escola terrorista me levou no Butantã quando eu era criança e eu praticamente não conseguia andar de pavor. Tipos que eu fiquei bem quieta pro Tiago Ferraz não me empurrar pra além da linha amarela desenhada no chão. Me dava calafrio só de pensar em gente ultrapassando a vermelha.
Outro dia eu tava chegando pro trabalho saltitando, como toda manhã. Mas eu trabalho num campus cheide mato, né? Niqui eu tô andando pela calçada e visualizo uma cobra. E gente, eu não virei do avesso porque sou uma moça controlada [haha]. Até eu perceber que a cobra JÁ estava morta, fiquei enjoada até o almoço. Se um dia eu vir uma cobra viva, já ligo encomendando o funeral. Ela VAI me matar. Se não de mordida, de meda. Eu sofro.
Mas mais que aflição de barata e medo de cobra, o que mais me causa pesadelo é casamento.
FIM.
*****
Mentira.
Mas gente, eu juro, casamento me dá pesadelo. Não metafórico, literal. A primeira vez em que pensei em procurar um psicólogo foi por causa do tema recorrente, ainda que a encenação mudasse sempre. Mas a estrutura era a mesma:
Um cenário meio outono, tudo meio amarelado, barulho de folhinhas secas. De repentemente eu olho pra baixo e visualizo minha própria pessoa num vestido branco cheio de tule. E tênis, claro. Aí vou olhando em volta e percebo as cadeirinhas, todo mundo sentado, virado pra um altar. Eu caio na besteira de ir andando pra tentar descobrir o que se passa, e quando vejo, estou indo na direção do noivo. Cuja cara eu não posso ver, obviamente. Cada passo é um barulhinho de folha seca estalando e rola até um tumtum pra batida do coração. Aí, no meio da platéia [haha] eu percebo o atual sweetheart da minha vida. Daí pro desespero total é um passo. OQUEQUEUTÔFAZENOAQUI? PORQUEQUEUTÔCASANO? TÔDECASTIGOMÃE?
E nessa hora eu lembro que estou de tênis, levanto os 8kg de tule e saio correndo e FIM.
*****
Mas gente, pensa: naonde que casar pode ser bom? Qualquer um que não tenha sido filho único e já tenha sido obrigado a dividir o quarto com o irmão, já pensou em como seria lindo ter seu próprio quarto. Muita gente que eu conheço lutou muito pelo direito de quatro paredes e uma porta intransponível. Aí vem um sujeito que você conheceu na rua e você simplesmente ignora o passado e coloca pra dentro do seu forte? Não aceito. MEU quarto é meu. Minha cama é minha. Meu cobertor é só meu e de mais ninguém. E não há amor no mundo que mude essa opinião. [E dizer “você ainda só não achou o cara certo é sooo last century, tá? Não levo em consideração.]
Porque sem um quarto próprio, onde você se fecha quando quiser ficar sozinho? Pra onde você vai quando o outro quer ver TV e você precisa dormir? Como raios você vai acender a luz pra se trocar se o outro estiver dormindo? Eu não quero nem pensar nisso.
Pra dizer a verdade, morar na mesma casa que a pessoa, ter autoridade dividida desde o porta escova de dentes do banheiro até as prateleiras da geladeira deve ser um living hell. A vida inteira eu querendo poder mandar mais que a minha mãe no lugar em que as coisas ocupam na casa e vou abdicar disso pra morar com alguém? Precisa de MUITO amor. Mas eu até consigo, desde que ninguém invente de dividir quarto. Isso não.
Aliás, dividir a cozinha deve ser horrível. Porque né, além de mim, quantas pessoas você conhece que não comem carne vermelha? Que odeiam azeitona? Que não bebem café? Café nem tenho nada contra, mas também não sei fazer. Agooora, ter que me deparar com uma bandeja de bife ao procurar meu suquinho de manga, ter que agüentar alguém preparando a carne na minha cozinha, na mesma panela onde eu refogo soja? Gente, não alcancei esse nível de amor na vida. E obviamente que não vai ser agora que eu vou aprender como chama cada carne e qual presta pra alimentação. Quer comer carne, prepare você mesmo. E seja grato por eu aceitar isso na minha cozinha.
Mas nada disso assusta mais que a idéia de mudar sobrenome. Porque, convenhamos, pela cabeça masculina esse despautério nem passa. Você passa a vida inteira assinando um nome imenso e aí, só porque você casa, o mancebo tem que atestar a propriedade sobre a sua pessoa e você tem que receber com entusiasmo o sobrenome da família dele. Que pode ser Matarazzo. Pode ser Diniz. Pode até ser Windsor. Mas é bem mais provável que seja nogueira, pereira, pinto, silva, carvalho. Ó gente, não quero ofender ninguém – até porque eu mesma possuo um dos sobrenomes mais de pobre que existem – mas né? Não vou querer. Até porque depois de voltar da linda lua de mel, sou eu que vou ter que achar um dia útil pra mudar RG, CPF, título de eleitor e o cacete, de modo que tudo fique adequado ao novo nome. Só mudo de sobrenome com duas condições: a primeira é que o cara tenha um que me agrade. A segunda é tirar meu sobrenome de pobre e colocar o de rico que deixaram pra trás. Já que vai dar trabalho, que pelo menos seja pra fazer minhas vontades.
Nem vou falar que quando escrevi lua de mel, lembrei da atração fatal que humanos têm por praia, da qual eu não compartilho (obviamente). Nego vai querer casar em época quente pra se enfiar em salvador e eu NÃO VOU. Ou é pra Bariloche em julho, ou é pra Noruega mesmo. Mas aí teria que casar no verão aqui pra pegar inverno lá e... casar no verão é inviável. Lua de mel: FAIL.
Mas aí tá: você casou, tem seu próprio quarto. Divide bem a cozinha, adestrou a outra pessoa pra não zonear o banheiro (não tô nem falando de homem, tem mulher com a horrenda mania de lavar calcinha no banho e pendurar no box), não teve que adotar o sobrenome feio, casou na fria primavera curitibana e pegou o frio outono europeu na lua de mel, tudo vai bem. Aí você engravida. Aí você passa 9 meses lutando contra hormônios, metamorfoses e ainda tendo que ser a mulher independente e bem sucedida de sempre. Aí você escolhe o nome da criança e o cara não concorda. SÓ QUE. O mundo é injusto e quem tem o poder de registrar é o FDP do pai. Que vai ao cartório e não só não coloca o nome que você escolheu, como coloca o nome do jogador favorito de futebol dele no feminino. E o seu sobrenome mais feio. E o dele também. E quando a certidão chega, você é a feliz mamãe de Rogéria Ronalda da Silva Pereira.
E SE MATA.
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Naonde tá a dificuldade desse povo de exigir um documento assinado pela mãe, com firma reconhecida, que concorde com o nome do registro? Ou então uma pequena filial de cartório na maternidade, onde a mãe possa ir? Já deixei meu pai avisado: se eu parir, quem registra é ele. Eu carrego, eu decido.
E tem gente que, quando me deseja um futuro sem homem, acha que tá jogando uma praga. Haha.
Vanessa ♥ Jolie
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8.5.09
da série: gramur, where are you?
retardadismos de primeira pessoa do plural ou jogadordefutebolismo
A gente nasce rica e com o cabelo liso. A gente nasce com um par de enormes olhos verdes. A gente nasce sociável, bonita e chique. Aí acorda um dia pobre, com um cabelo que nem alisa nem enrola (e não faz onda nem desembaraça). Acorda com olheiras alérgicas. Acorda antissocial, feia e brega.
A gente passa a vida vestindo manequim 36 e um dia a gente engorda 25kg por causa de uma doença e seus remédios. E aí a gente não sabe mais se vestir, não sabe andar (cadê meu centro de gravidade?!), não sabe viver.
Mas passa um tempo e a gente descobre que é linda, alta (hahaha) e inteligente, veja só. A gente aprende a comprar roupa pra gordas e, duas semanas depois de comprar um jeans 42, ele já está largo. [Não que 42 seja numeração de gorda, já diria Meg Cabot.] O cabelo não precisa de muito mais que um shampoo e um condicionador pra ficar lindo, ondulado e brilhante, com a cor natural é elogiada até por cabeleireiros. Vamos ao salão uma vez por semana, passamos maquiagem com pó de diamante, somos cheirosas e lindas.
Adquirimos estilo com muito custo, desde leitura diária de sites e blogs de moda, até palestras de personal stylists. A gente passa a usar 3 peças sempre, coordenar cores, evitar tênis (e olha, isso é um sacrifício), caprichar na bolsa, pentear o cabelo, complementar com acessórios e imprimir riqueza.
Pegamos toda nossa beleza natural e todo nosso conhecimento, vamos ao shopping, fazemos comprinhas delicious, pintamos as unhas de vermelho. Saímos do xópem e o ventinho que bate quando a porta automática se abre parece um ventilador de estúdio estrategicamente montado pra esvoaçar nossos lindos cabelos e pontinhas dos nossos cardigãs.
Atravessamos a rua na faixa de pedestres e visualizamos o momento congelado pra uma foto de editorial de moda, O MUNDO É SEU! VOCÊ É LINDA E PODEROSA! Chegamos até a pracinha do outro lado da rua. O ventinho gelado e os pinheiros fazem parecer a Europa.
Aí a ficha cai, você e todo seu gramur entram no ônibus biarticulado que ruma para a zona leste. Borra a maquiagem chorando por não tomar a vergonha na cara de comprar um carro ou se enfiar num taxi.
E fim.
se alguém encontrar o gramur, avisa que eu também estou procurando
Vanessa ♥ Jolie
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4.5.09
PINHOLE
Cricaê, migs. O título também é link.
Praça Santos Andrade – Prédio Histórico UFPR
Eu sempre gostei de fotografia. Ganhei minha primeira máquina fotográfica com 10 anos, num tempo em que quase nenhuma criança tinha equipamentos tecnológicos (gente velha é um horror).
A foto era daquelas quadradinhas, nem lembro a marca da câmera. Mas como tinha que deixar os amiguinhos baterem fotos pra que eu pudesse sair nelas, já dava pra ver que eu tinha jeito. Fotos bem focadas, sem tremer, no mínimo. Minha mãe comprava os filmes, mandava revelar, trocava quando a câmera ficava velha. E ainda assim, até bem pouco tempo atrás, mesmo usando a máquina super duper cheia de firula dela, eu nunca tinha pensado em como fotografia é bem mais que apertar o botão da câmera digital.
Aí, algum tempo atrás eu conheci o Luciano, sempre tão solícito e empolgado ao falar do assunto que aumenta o interesse de qualquer um pelas técnicas de fotografia. Então, quando ele falou da monografia sobre pinhole [que eu, muito intelijenti, lia pi-nhó-le], explicou o que era e convidou pra comemoração do dia mundial pelas ruas da cidade, dei um jeito de ir.
Pra minha sorte, que não tive tempo de ler o tutorial e montar minha câmera de orifício, ele tinha levado algumas prontas pra distribuir. Um solzinho simpático batia na Praça Santos Andrade quando um grupo se formou. Todo mundo a postos com suas câmeras de papel Luciano’s special edition, fomos da Santos Andrade até a Generoso Marques fotografando.
Praça Generoso Marques – Paço da Liberdade (e florzinhas)
Pra ser sincera, eu achei que ia estragar o filme todo. Meio difícil acreditar que 2 segundos de exposição ao sol, 12 na sombra e quase dois minutos dentro de algum lugar mal iluminado vão resultar numa foto. Quer dizer, que EU fazendo isso ia conseguir uma foto.
Mas mirei bonitinho, apoiei bonitinho, procurei lugares bonitinhos e quase tive um ataque quando fui buscar o filme. Quatro idas ao laboratório até achar alguém que sabia o que era pinhole e que não achava que eu tinha matado o filme. Porque a primeira moça só disse:
- saíram 16 de 36, moça. Acho que sua máquina quebrou.
De posse das minhas fotos novas, só posso dizer que peguei gosto. Primeiro que vou comprar novos filmes e vou a outros lugares usar a maquininha que o Luciano me deu. Depois, vou tentar montar uma com as minhas próprias mãos seguindo o manual que ele fez. E uma hora dessas eu tomo vergonha na cara e compro uma máquina que preste e aprendo a fotografar como gente. :)
Centro Politécnico da UFPR. AILOVE esse lugar
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Ficamos empolgadinhos pra ir à Generoso Marques porque o Paço da Liberdade estava finalmente aberto depois da reforma. Depois de passar um tempinho fotografando na praça, resolvi entrar pra ver se dava certo tirar foto em alguma das sacadas (não deu, estavam trancadas). Acabei fotografando as salas mesmo, que tinham uma condição de luz beeem diferente da que estava do lado de fora. Na hora de entrar, perguntei pro guardinha o que eu precisava fazer.
- precisa assinar aqui no livro e desligar o flash da sua máquina.
[eu estava com a minha pinhole na mão]
- hahaha, moço, tem flash não.
- sei, sei.
- pode olhar, a câmera é de papel.
[ele olhou e fez cara de “ah, tá. Senta lá.”]
- se é de papel, como funciona?
- tem um filme aqui dentro e eu levanto esse pedacinho quando quero tirar a foto. É só deixar alguns segundos apontada pro lugar.
- aham. Sei. Pode entrar lá.
Hahahahahaha. Taí, tio. Pode ver que deu certo. As de dentro do paço incrusível. [E ficaram ótimas! Modéstia à parte.]
Sala de entrada do Paço da Liberdade – 2 minutos de exposição
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Pra ver o set todo no flickr é só clicar.
Auto foto EMO. Não podia faltar.
Vanessa ♥ Jolie
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27.4.09
Vanesquisitices
Eu não possuo um coração, como é de conhecimento notório. Mas eu sou uma manteiga derretida. Eu choro em propaganda d’O Boticário, mesmo sem estar na TPM, por exemplo.
Aliás, olhou mais feio pra mim, já tô chorando. Lágrima é o que não falta. FIM.
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27 dresses
Poizólha, se eu sou do tipo que chora sempre, não falha quando as pessoas se casam. Um pouco de pavor, um pouco de incompreensão, é uma coisa que sempre rende uns auto abanos. E no último final de semana, minha amiga se casou. E gente, ela entrou na igreja cantando. Foi bater o olho na pessoa adentrando o recinto cantarolando pro amor da sua vida sem nem tremer a voz e chorar o amazonas. Do tipo que o resto das pessoas da igreja se perguntam “quem vem a ser essa, hein?”. Esquenta não, pessoal. É normal.
Acontece que esse casamento foi aquele do qual eu mais participei no planejamento. De trocas de fotos de vestidos alheios a links da Martha Stewart, falamos de absolutamente tudo, pra festa ficar básica e chique. E ficou.
Entra senhorita, sai senhora, faz brinde, corta bolo, janta e, antes de abrir a pista de dança, a hora mais esperada pelas encalhadas senhoritas remanescentes.
Eu.nunca.tinha.entrado.no.bolo.de.recepção.do.buquê.na.vida.
Sempre tive verdadeiro pa-vor desse momento. Mulheres se transformam em animais não domesticados ao verem um arranjo de flor alegórico que talvez as leve até o altar. E como eu corro na direção oposta, não há motivo pra enfrentar a morte de longuete longo e sapatilhasalto alto.
Mas neste caso, era minha amiga querida. E o buquê foi um dos meus palpites. E ela agradeceu minha ajuda em frente a todos os convidados minutos antes. Prometi que ficaria lá entre a mulherada maluca e fiquei. Tínhamos “combinado” por meses que ela jogaria o buquê na direção oposta, não tinha como cair na minha mão.
Me despreocupei completamente quando ela olhou pra trás pra analisar as posições. Ainda mais que ela olhou pro lado oposto ao meu. Tive certeza que alguém já estava destinada a receber o arranjo fictício (pra não destruir o original, tão bonitinho).
Então o moço do cerimonial conta até 3, ela arremessa e... em câmera lenta, o buquê vem na minha direção. Se eu conhecesse 98% dos convidados, meu lado palhaça seria ativado e eu desviaria, com gestos de pavor. Mas tive um segundo pra pensar que ninguém entenderia a piada e eu pareceria a maior panaca que já habitou a terra. E antes que o buquê acertasse minha testa, eu levantei a mão e peguei.
E o mais inacreditável: não sofri nenhum arranhão no processo, não caí e ninguém atentou contra a minha vida. Bom, pelo menos não fisicamente. Percebi alguns olhares de reprovação e ouvi alguns pensamentos “mas ela nem queria pegar!”. Apesar de tudo, eu e o arranjo passamos bem.

Vanessa ♥ Jolie
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21.4.09
por um pouco de gramur na vida
Deve ser fácil a vida da pessoa rica e sem glamour. Afinal, o dinheiro compra entradas vip. Mas a vida da pessoa COM gramur e SEM dinheiro é uma tristeza. Começa com o ônibus, que neutraliza todo o seu outfit bem planejado, seu cabelo perfeito, sua pele boa. Fora que isso é coisa de neo-pobre, né? A pessoa começa a vida estudando no Guilherme Dummont Villares e “termina” andando de ônibus, com a ajuda de custo discriminada no contracheque de funcionária pública.
Porque meus amiguinhos de GDV devem estar deveras bem posicionados profissional e pessoalmente. Algum deles estaria a caminho da presidência da república, caso o cargo exigisse escolaridade acima de ensino fundamental. Mas conta no exterior aposto que todos eles têm. I lost my point, whatever.
Bom, o caso é que quando a pessoa tem glamour nato [COF], uma hora ou outra ele tem chance de aparecer. Como na semana passada, em que ganhei um convite para o pobreza Fashion Week, aqui na capital do Paraná. [oh, a discrição]. Não é assiiiiiiiim uma fashion week de gente grande, mas era o que tinha, então vamulá.
Acontece que pobre tem um problema: a beleza tem prazo curtíssimo de validade. Só ver o retoque de niely gold pelos banheiros da vida. Eu, por exemplo, viro abóbora em menos de quatro horas. Outro fato é que pobre não tem tempo pra embelezamentos. Pra chegar ao desfile a tempo, não tinha como passar em casa, tomar banho com leite de cabra, passar perfume de rosas, passar um silicone nas madeixas e subir no salto.
A “solução” era ir trabalhar com uma roupa não tão pavorosa quanto as dos dias normais, levar um kit reposição rápida em pontos chave (tipo cachecol e casaquinhos), tentar de todas as formas ficar longe de intempéries pelo bem do cabelo - que é naturalmente lindo, mas não resiste à umidade – e levar todo o estojinho de maquiLAGE na bolsa. Uma manobra.
Bom, o abobramento acontecendo em quatro horas e eu sendo uma funcionária pública exemplar, ao meio dia minha beleza já era. Às cinco da tarde, a feiúra imperava. E eu ainda tinha um ônibus pra pegar. Tenso.
Então lá fui eu, rumo ao Inter 2 (quem é de Curitiba sabe a AFLIÇÃO que isso significa), tentando manter a dignidade (porque o gramur já era faz tempo). Terminal vai, tubo vem, eu praticamente no destino lembro que esqueci o celular em cima da mesa no trabalho. OK, sem pânico. Usa um orelhão e liga pra alguém pra avisar. MAS. Mas tá todo mundo com número novo E no speed dial, vô lembrá de cabeça? NÃO. Se ferrou, Vanessa. Então, como sempre, eu começo a chorar. Desço num tubo, atravesso a rua e pego o ônibus no destino contrário. Desço no terminal. Volto ao inter 2 no sentido e horário de pico. Ando mil quadras dentro do campus até minha sala. Pego a @#%$$# do celular. VOLTO PRO INTER 2 DE NOVO. Mileoito horas e tubos depois, tô no salão onde deveria fazer a sobrancelha.
Porque né? Feia e descabelada até vai, mas com sobrancelha horrorosa, jamé! MAS. Mas com o meu atraso eu perdi a hora no salão e não tinha ninguém sobrando pra atender, claro. E o salão ficava a 8 quadras do lugar onde seria o desfile. E eu teria que ir andando até lá.
Quando eu cheguei, nem precisei de blush. A bochecha era um vermelho só. Mezzo raiva, mezzo calor pela velocidade em que eu andei. Ni qui eu vejo que faltam apenas 15 minutos pro começo do desfile e minha mãe me liga. Já achei que era pra saber onde eu tava, mas nãããão.
- Vanessa, dá pra você ir até o piso L2 pegar os convites com o top model?
- COMÉQUIÉ? Num tá na sua mão ainda esse troço?!
Aí a busca pelo convite perdido comeu os 15 minutos que eu teria pra troca de blusa, pashimina, e aplicação de maquiagem (afinal o cílio não estufa com corrida e a boca não brilha por raivinha).
E o top model NEM TAVA lá ainda.
Enquanto a fila dobrava os stands do shopping, troquei de blusa, taquei um lenço de estrelinhas da Renner no pescoço, passei um gloss com brilho e não tive tempo de trocar o all star por um belo sapato de salto. Whatever. Se alguém me perguntar, tô de mendigo-chic e vambora.
Entro no desfile com o humor severamente prejudicado e olho em volta. Tá certo que a genética foi boazinha comigo ao me dar cabelo, mas gente, que povo feio. Que gente brega. Que falta de noção estética. Da próxima vez, não produzo tantos radicais livres me estressando, porque fora as modelos, eu (e minha família) éramos as pessoas mais bonitas do lugar.
GRAMUR natural, meu bem.
[/ironia]
Vanessa ♥ Jolie
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