It is always about ME
*****
Se eu fosse querer me descrever "decentemente", acho que seria chata como a
maioria das pessoas. Sabe, naquele esquema “ah, eu sou o máximo, todo mundo me
adora, sempre fui a mais inteligente da turma, a líder da galera dumal, a mais
divertida, diferente, interessante, legal e divertida.” Pffff!
Se eu fosse mesmo, teria 9348570349685 testemunhos comprovando isso e não
precisaria de recadinhos mal educados pelo perfil. Eu sou mêmo é um porre!
*********
Eu sou toda errada. Mas meus pais são perfeitos. Sabe aqueles que todo mundo diz
pra você que queria ter? São os meus. Bonitos, inteligentes, modernos,
carinhosos... se eu cobrasse aluguel, tava rica. O telefone lá de casa toca
muito mais pra eles que pra mim.
Bonita, eu? No máximo em algumas fotos em que eu dei sorte. Mas meus irmãos são
lindos. Por dentro e por fora. Tanto que tem até gente que imita, copia foto,
apelido, roupas e jeito de falar. Não duvido que muita gente queira estar no meu
lugar.
Eu não sou especial. Mas o homem da minha vida vai ser. Como tudo que me faz
feliz, se a definição de superlativo tivesse uma foto, seria a dele. Carinhoso,
inteligente, divertido, liiiiindo! A melhor parte da minha vida, o dono de cada
batida do meu coração. Apesar de não ter nada demais, tenho muita sorte. Não é
qualquer uma que tem um namorado que pode chamar de perfeito. Em todos os
detalhes.
Eu sou esquisita. Uma pessoa que não faz questão de colecionar amigos. Mas os 3
ou 4 que eu tenho são o máximo. Gente que conversa sem restrições, que diz o que
pensa sem medo de estragar tudo, que ri, que fala sério, que fica meses longe e
quando encontra parece que foi ontem. Gente que sabe que amizade é muito mais
que exigir. Até meus animais de estimação são demais pra mim. Os mais fofos,
engraçados, inteligentes e fiéis.
Tudo que eu tenho é incrível. Uma pena que eu não seja tão espetacular quanto o
que me cerca. Que eu não seja incrivelmente inteligente, que não goste de me
aparecer usando vocábulos abstrusos. Que eu não seja tão linda quanto essas
pessoas que podem usar roupinhas exibidas. (Que por ser tão estranha, eu nem
gosto.) Que eu não seja tão diferente a ponto de chamar a atenção no meio de uma
multidão. Que eu não choque as pessoas com o meu comportamento, com o meu visual
ou com as minhas palavras de pós-aborrescente rebelde. Que eu não seja
despreocupada o suficiente pra viver com cara de boba alegre. Que eu não seja
irresponsável o suficiente pra ser divertida como as outras pessoas. Que eu não
seja inconseqüente pra chamar a atenção...
Então enquanto eu não me tornar uma pessoa tão interessante quanto as outras,
melhor nem falar sobre mim...
Favoritos
Moda
Engraçadinhos
Intelectuais
Vizinhos
Famosos
Sopa Fria
Créditos
Desde
12/01/05
|
16.12.10
o dia em que eu entrei na jardineira e nunca mais saí
títulos alternativos: é uma cilada, bino, todos chora e o pior final de semana mais legal de todos os tempos
(Você precisará de muitas referências pra entender esse post.)
Querido diário,
Se alguém me dissesse alguns anos atrás que era possível existir no mundo real um grupo de amigos como os de Friends ou How I Met Your Mother, eu diria que era impossível. Sempre fui antissocial demais pra acreditar que mais de duas pessoas pudessem ter aquele nível de amizade, que agüentam se ver mais de duas vezes por semana, que se enfiam na casa de alguém, eleita praticamente o quartel general da galera.
Existe.
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Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
9.12.10
um minuto de silêncio
manual ilustrado
Domingo estava eu tocando alguma bobagem no piano, enquanto os outros presentes se arrumavam pra um evento ao qual eu não iria. Quando um membro do sexo masculino do casal apareceu vestindo vermelho, o membro feminino disse a seguinte frase:
- muito bem, só quando eu estou presente.
Ri por alguns segundos, pensando que, se eu mesma tivesse algum poder neste mundo, certo cerumano também só usaria vermelho na minha presença. Fiquei contente por saber que não estou só.
Não é todo mundo – na verdade, uma minoria privilegiada – que fica irresistível de vermelho. Mas quem fica, fica.
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Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
29.11.10
explicando *metafisicamente* muita coisa
psicologia
Todo mundo sempre me chamou de Quarta-Feira Adams pelo meu desgosto em dias de sol. Todo mundo olha feio quando eu digo que fico mal humorada nas manhãs em que abro os olhos e vejo tudo iluminado por amarelo e céu azul. Pois a ASBAI diz que eu não sou depressiva nem emburrada. É só que dias de sol e calor PODEM ME MATAR. “Os dias de chuva ou neblina são de alegria para os sofredores da doença polínica, pois não existem condições favoráveis dos pólens circularem no ar”.
Pois eu EXIJO que ninguém mais perturbe minha paciência quando eu fizer cara de desgosto e choramingar “nhé, sol...”.
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Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
25.11.10
sweet november
and so many things I wanna say
Eu acho que a minha memória é o maior caso de memória mal aproveitada no mundo.
Porque assim: às vezes eu tenho impressão de que ela é infinita. Mas só pra coisa que não presta. Porque se minha memória fosse realmente boa, eu não seria uma total negação em áreas como história e geografia (incluindo desde caminhos por onde eu passo todos os dias até a localização da Disney). Então é isso: uma memória enorme, seletiva pro que não presta e com uma boa dose de TOC.
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Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
18.11.10
divagar devagarzinho
...
Mas gente, a vida por si só, enquanto tempo gasto inutilmente no universo, já que a gente tem que preencher as lacunas entre um momento válido e outro, é um saco. De modo que eu tenho que me divertir de alguma forma.
...
pra ler mais, pra feeds e essas frescuras: http://milarga.blogspot.com/
Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
10.11.10
querido diário
senta, que lá vem história
Outro dia teve virada cultural. Sabe, eu sempre tive muita inveja dos habitantes de são paulo, meus conterrâneos, que têm essas oportunidades culturais com freqüência. Tá certo que não iria ao anhangabaú ver o Rappa nem a pau, mas né? Você me entende, não entende, diário? Eu muito sinto falta do museu da língua portuguesa, da pinacoteca, do masp, do ibirapuera e essas coisas.
Mas aqui a gente tem o paço da liberdade, que meique compensa muita coisa.
O caso é que eu queria ir ao show do Pato Fu e, por curiosidade, ficar pro seguinte, do Charme Chulo. Bem simples, dois showzinhos no mesmo palco, da meia noite às 3 da manhã, coisa leve, né? Não.
Porque íamos em 4 e cada uma queria ver uma coisa. Paulinho da Viola, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, meu ovo. Aí eu me vesti de mendiga, me enchi de protetor solar e saí de casa pronta pro primeiro show, 13h da tarde, debaixo dum sol do congo (num dos únicos 8 dias em que faz sol em curitola) e fui.
Sozinha.
13h
A muierada deu os cano e lá fui eu encarar Paulinho da Viola, muito achando que tinha me metido numa roubada.
Mas gente, foi lindo.
Foi MUITO lindo.
Eu tenho umas pira errada de tentar contextualizar as coisas e o show do Seu Little Paul foi meique uma visita ao oráculo, sabe?
“Trama em segredo teus planos
Parte sem dizer adeus
Nem lembra dos meus desenganos”
Isso tinha acontecido uma vez numa palestra do fofinho vovozinho Ariano Suassuna. De a pessoa ir falando e eu ir concordando e parecer até meio mongolóide, porque né? Tá todo mundo absorvendo cultura e eu procurando o sentido da vida.
Mas lhes digo: Paulinho da Viola tocou meu coração duma forma, que eu prometi pra mim mesma passar 24h seguindo cultura. Provavelmente sairia do show do seu Erasmo (o último, no dia seguinte) carregada direto pro hospital, mas tava disposta. Juro.
15h
Acompanhada dos pais mais legais da galáxia, saí do show de seu Paulinho rumo à apresentação que eu realmente não conseguia prever: Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. Realmente, foi musga on drugs, mas eu adorei. Sério, todo mundo (que gosta de musga, obviamente) deveria ver um show desse velhinho um dia. Que coisa mais biruta, meldels. O cerumano que juntou ele com a Sinfônica tava muito de brinks. ADOREI.
Fiz amigos na platéia, super devo fazer oficina de piano popular em janeiro, entrar pra uma banda de chorinho e largar o funcionalismo público pela boemia. Já tô recebendo convites (juro). ME AGUARDEM.
17h
Empolguei e voltei correndo pro lugar do primeiro show (sério, gente. Uns 5km de distância) pra ver Sandra de Sá.
Mas né? Alérgica em plena crise, sem remédios, sem café da manhã, sem almoço, sem água. Vi a morte umas 7 vezes no caminho. Tosse, falta de ar, hipoglicemia, descompasso cardíaco. Tive de tudo.
Marquei o lugar onde os parente iam ver o show e corri até a vendinha.
- moço, me dá uma coxinha COM CATUPIRY(go), uma garrafa de água e 4 cocas.
O moço quase morreu de rir. Entendi quando olhei no espelho: minhas fuça tava da cor de tomate maduro. Mezzo sol, mezzo esforço físico, eu parecia muito sofredora de sede. Saí me atracando com a coxinha, a água e uma das cocas, uma coisa bem fina. Mas tava todo mundo olhando pro palco, ninguém reparou.
Ainda vi dona Sandra de pertchinho, gritei o nome dela, ela acenou de volta. Uma maravilha da tietagem inventada.
Mas ó. Que show MARAVILHOSO, minha gente. Fiquei loca, pulei desgovernada (comé que uma coxinha, uma coca e meio litro de água não se revoltaram nessa hora, não sei).
Porque, vejem, ela cantou soul de verão. E isso era muito importante pra mim. Sei nem como não perdi a voz.
19:30h
Sandra cantou mais do que devia e FERRÔ minha programação. Porque eu tinha que estar meia hora antes do fim desse show no shopping, meio do caminho pro show do Robertão, que começaria às 20h. Saí correndo desgovernada, já sem meus pais e cheguei no shopping PODRE.
Mas podre em todos os sentidos. Urubus me perseguiram no caminho.
O plano: adquirir uma garrafa de 5 litros de água, algo pra comer, uma blusa nova, uma lavagem facial no banheiro e, se possível, escova no salão.
Entrei na farmácia e pedi água. E, com os cabelos descabelados, a cara num tom inexplicável de vermelho, a blusa branca imunda por ter tido um pequeno incidente de falta de saúde e capotado no chão da praça, o atendente ainda me vem com a seguinte pergunta:
- tá seguindo a virada, é? Onde eu te encontro perto da meia noite? *seduz*
Sô obrigada? Num sô. Mandei ir no show do Pato Fu. Se ele foi, tá me procurando até agora. UM BEIJO, MOÇO DA FARMÁCIA!
Aí corri pra cya, comprei lindas (not) blusa, lavei a cara, tomei 30 litros de água e segui, agora em companhia de lindas amiga, pro show do Rei. (kkkk risos)
A pessoa me diz que ganhou convite vip, mas só dois. Éramos seis três, de modo que entendi que ela tinha RECUSADO os convites. E fomo nóis lá pro meio do bolo, donde não se via nada, se ouvia mal e se era muito esmagado. Briguei com bombeiros, puliças, civis. Num momento de picuinha, berrei com toda a força dos meus pulmão “Roberto, casa comiiiiigo” e um vovozinho duns 150 anos me repreendeu: “mas minha filha, ele é velho!”.
Xinguei muito no twitter e acabei descobrindo que minhas lindas amiga ainda estavam em posse de suas pulseiras vip. De modo que, ao som de “o cabelo dela parece até bombril de arear panela”, arrastei as duas pelo meio do que deveria ser um trilhão de pessoas até o camarote.
Como eu tarra NEI AÍ pro show, botei as duas pra dentro e sentei na sarjeta e chorei abraçada no meu barril de água.
Lá longe eu ouvia os acordes de “Jesus Cristo, eu estou aqui”, gritei junto, o resgate veio, o show acabou, os fogos de artifício estouraram no céu e, AÍ SIM, eu vivi um momento lindo porque o show acabou, né, minha gente.
Uma lata de coca-cola desintegrada depois, juntamo-nos os 4 mosqueteiros (repare o personagem adicional na história), rumo à COMIIIIIIDA! E ao show do Pato Fuuuuu.
23h
Fazia só 10 horas que eu estava perambulando pela cidade. Eu colocaria um mapa aqui pra dar a noção exata do quanto eu andei, mas meus pés ainda não se recuperaram e não querem se lembrar. Desculpa.
Paramos numa linda barraquinha de prensado (o legítimo point pra comer um pão com vina) e pedimos 3 motumbos e um sem salsicha. Eu pedi também um guaraná com batata palha, porque tava precisando muito de energia. Mil e duas horas depois, estávamos todos alimentados, entupidos e pregados. Mas vamo lá, que já passa da meia noite e os shows têm atrasado uma meia horinha, vamos chegar em cima da hora e...
Mano. Sério. Todo mundo que tava no show do Robertão foi pra lá. Não tinha condição. Eu via o palco praticamente no universo paralelo, de tão longe. E, atrás de mim, UMA RAVE A CÉU ABERTO. Ousseje: eu via a roupa laranja medonha de fernanda takai, mas ouvia um tuntch tuntch firmeza. E naquelas alturas, NENHUMA ALMA queria subir comigo a rua, rumo ao palco. NÃO PERDOO. Passei por tudo aquilo no show do RC e ninguém segurou na minha mão? Não aceito.
Concentrei, fiz cara de intelectual e ouvi pelo menos as minhas musgas favoritas e o melô do egoísta (aka minha música): EU.
01h
Gente com frio, gente cansada, gente querendo ir embora, gente querendo outras festas. TODO MUNDO querendo me abandonar. Acho injusto. Faltava um showzinho só (mentira, se eu tivesse tido coragem, depois desse iria pra outro e outro e outro e outro e estaria até agora vagando pelas ruas ou tomando soro numa UTI. Nunca se sabe.).
Mas aí tudo deu certo e eu não quero mais contar nada porque eu não lembro. Meu cérebro tava em coma desde a meia noite.
Só sei que acordei no dia seguinte com a sensação de ter levado uma surra. Tentei levantar da cama e meus pés se recusavam a sustentar o peso do meu eu. Foi lindo. E eu vos digo: se eu estivesse conseguindo respirar um pouquinho que fosse, ainda fazia a loca e ia ver martinália (me processa) e Erasmão. Não fui porque... não lembro, devo ter voltado ao coma.
Mas olha, vou dizer uma coisa: no ano que vem, eu vou usar meus tênis de cadimia, vou levar 4 mudas de roupa na mochila e vou deixar o celular programado pra me avisar que eu tenho que beber água, repassar protetor solar, parar de pular. E vou contratar alguém que tenha disposição e habilidadj (crééééu) pra me acompanhar. Porque ou eu viro as 24h ou saio de lá numa ambulância.
Me aguardem.

Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
3.11.10
nau sol facio
Hoje de manhã eu escrevi uma frase no twitter da qual só eu ri, porque só eu sabia que era piada.
“Tive que pesar a mão no antialérgico, de modo que tudo que eu disser hoje é automaticamente classificado como café com leite.”
Apesar de essa minha alergia ser uma grande piada do cosmo com a minha pessoa nos últimos 15 anos, nem era disso que eu tava falando. E também não estava exatamente fazendo graça da alegria que é adquirir uma tremedeira equivalente a mal de parkinson antes que o antialérgico faça efeito. Ou seja, me transformo numa vara verde entupida, que não ouve, não respira, e só enxerga nos raros momentos em que consegue manter o olho aberto. Isso nem é engraçado, na verdade.
Divertido é pensar na quantidade de gente que realmente acha que pode usar as adversidades da vida como muleta pra criar condescendência e ficar livre de implicações. O problema é que o mundo tem essa vibe pró-coitadinho. Aí dá certo.
Mas eu nem vou falar sobre isso, porque minha vida tá cheia de gente que curte um humorzinho negro, uma heresia, um lance politicamente incorreto, mas não agüenta argumentação embasada, sabe? COITADINHOS.
(porque às vezes as muletas não são metafóricas)
*****
Uns dias atrás, me peguei filosofando com uma caixa de sabão em pó na mão. Sobre o tempo.
(bitches love doing laundry)
Pois eu tenho um sistema: guardo o sabão todo num potinho e deixo uma caixa fechada de reserva. Acaba o do pote, eu abasteço com a caixa, compro uma caixa nova e assim vai. Pois eu abri a caixa nova e tive um surto porque, OHMELDELS, esta semana não vou conseguir ir ao supermercado comprar uma nova então não vai dar tempo.
Não vai dar tempo de QUÊ, cara pálida?
Não faço a mínima.
Nem eu que faça a lavadeira e comece a cobrar, não há meio de eu gastar a caixa toda antes de passar no supermercado novamente. Mas aí, até ter essa linha risonha e límpida de raciocínio, eu já tava no meio do caminho pra cartela de calmante, né?
Mentira. Se eu tomasse tanto calmante quanto eu digo que tomo, ou eu seria CALMA ou já teria morrido de overdose. É tudo no maior método de respiração (quando eu consigo respirar, obviamente).
Mas vou te falar que essa coisa de tempo kd piora muito nesta época do ano. Vem a Simone berrando nas nossazorelha, perguntando o que eu fiz e outubro nem tinha acabado ainda. É muita falta de respeito.
Aí os dias de frio are over, vêm esses polens do inferno atrapalhar minha vida, o calor, as pizzas com azeitona, os feriados e até o telefone toca. Sabe, eu perco a motivação. Até porque eu não curto essa coisa de natal e ano novo (Serião, nem é numas de revolts com a sociedade and everything. São dias meio mocorongos mesmo, gente acreditando em amor ao próximo, recomeço, regime, tecpix e iogurteira top therm, não tenho estrutura).
A gente até podia combinar de só falar de natal depois do dia 15 de dezembro, qq6achäo?
*****
Eu lembro que tinha uma coisa muito importante pra dizer, mas tinha que vir depois dessa enrolação toda aí. Só que, né? DORGAS NA MENTE e eu não faço ideia do que era. Fico bem contente de dizer que estou escrevendo faz uns 20 minutos e não lembro de ter dormido no processo. Já é uma vitória. Tirei umas fotos bem no clima lucy in the sky no processo, inclusive. Toda trabalhada na arte, escrevendo e fotografando, multitask on drugs.
*****
Fui lá copiar minha própria frase no twitter e li com maldade minha própria bio e me espantei que ninguém tenha feito a piada antes.
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Pois olha, amanhã é quinta, dia oficial de levar olé do fusca, tô aqui tentando escolher onde é que eu vou passar nervoso desta vez. Queria ir no shopping, queria ir no parque, queria até ir no supermercado comprar sabão em pó, mas tô numa dúvida... Se continuar nessa farofa, é capaz de vir pra casa lavar roupa. Aí meu sabão vai diminuir e eu vou querer comprar mais e não vai dar tempo, porque já é novembro, o ano termina e começa outra vez e. Ok.
*****
Vou contar um segredo (not): toda vez que nada faz sentido (all the time?), é porque eu queria dizer algo que não posso ou porque tô correndo antes que a ventania de um texto que eu não quero escrever me alcance. Lá vou eu escrever e não mandar, não publicar, não falar sobre o assunto. Porque isso aqui já deu.
Beijo, tomem um limão por dia e tenham uma boa vida.
(já sabem, né? pra feeds e essas frescuras: http://milarga.blogspot.com/)
Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
21.10.10
to be or not to be mongoloid
if only there was a choice
Neste exato momento meus olhos estão em brasa. Isso acontece normalmente quando eu tô com sono (todo dia) e quando eu chorei litros meia hora atrás (hoje).
Eu chorei por uns 438 motivos diferentes, mas tudo começou quando eu pensei “má que &%$#@, ter que ficar achando graça e fazendo piada de tudo que dá errado na minha vida, só porque eu não tô morrendo nem passando fome”. (assunto recorrente)
TÔ A LOCA DO PARÊNTESE, ACUDÃO.
Por exemplo: há um fusca na minha vida.
O Senhor é testemunha do quanto eu odeio esse carro. Não este, especificamente, mas toda a linhagem. Não entrarei nesse mérito. O caso é que a vida é muito mais simples quando você não anda de ônibus, não há como negar. Só que se no ano passado eu chorava em pontos de ônibus, neste eu choro em estacionamentos, num banco de motorista de fusca.
Olha, se eu fosse contar cada enrascada em que me enfiei por causa desse carro, não teria outro assunto. Se fosse contar quantos estranhos já ofereceram ajuda ao presenciarem um ataque histérico, ficaríamos aqui até depois do fim do mundo. Se contar quantas vezes fiquei na mão porque o carro morreu... descobriríamos quanto é INFINITO.
Mas eu sou teimosa e, cada vez que essa fênix mal diagramada renasce, tô eu lá atrás do volante.
Saí do trabalho com o objetivo de resolver um bilhão de coisas – o que acontece praticamente todos os dias – e me fazer um agradinho shoppinzístico. Coisa boba. Acabei o que tinha pra fazer e ainda ia passar no querido’s, aquela rede de isfirras, pra fazer a última boa ação do dia e levar lanchinho pra galera. Paguei o estacionamento, entrei no carro, girei a chave e. NADA.
Não é a primeira vez que ele faz isso e a ÚNICA solução é pegar no tranco. Mas gente, pensa na facilidade de fazer pegar no tranco dentro de um estacionamento de shopping.
Girei a chave de novo. Nada.
De novo. Nada.
De novo. Nada.
Apelei pros meus créditos celestes e descobri que não paguei a fatura. Apelei pros meus neurônios, apelei pra força bruta, apelei pra princesice, mas nenhum príncipe mecânico apareceu. Vinte minutos se passaram e lá fui eu avisar a administração do estacionamento que tinha estourado a tolerância e que precisava de ajuda.
1 – a não ser pra bateria descarregada, o que não era o caso, não tinha ajuda.
(e eu só queria um infeliz pra segurar o trânsito enquanto eu empurrava aquela *&¨%$@ rampa abaixo pra pegar no tranco)
2 – os minutos que eu excedesse no estacionamento, eu teria que pagar na cancela.
Gente, ok. A tolerância existe por algum motivo, tô ligada. Agooora, se eu já não concordo em ter que pagar o bendito estacionamento se eu gastei 100 vezes o valor dele dentro do shopping, imagina eu dar cincoenta centavos na mão do porteiro, só porque minha jabiraca não quis pegar! E eu ainda fiz o favor de avisar, dizer cor, placa, modelo, ano... QQCUSTA///
Voltei pro carro emulando TPM from hell, capaz de matar até um esquilinho fofinho se cruzasse meu caminho. E aí aconteceu o pior.
Porque assim. Eu posso passar 300 dias de tristeza sem derrubar nenhuma lágrima. Mas é eu ficar bravinha que POF, niagara falls on my face. E aí eu fico brava porque tô chorando porque tô brava e é um ciiiiiiiiclo sem fim que nos guiará à dor e à emoção pela fé e o amooooor.
Chorei.
E embacei os vidros com os 40º que eu atingi. Embacei os olhos com a nuvem de lágrimas. Abri o carro todo. Respirei. Concentrei. Dei um grito. Disse em voz alta: AGORA VOCÊ VAI FUNCIONAR.
E fiz a mágica.
Gente, sério, o carro ligou.
Precisei dar aquelas aceleradas baixa renda, mas ele pegou e não desligou mais.
*****
Cheguei na cancela e expliquei a situação. Em prantos. Não sei se chorava mais porque a life sucks, porque fusca sucks, porque quinta-feira sucks, porque eu sou mongolóide.
Aí vem o cara e diz que eu tenho que pagar o equivalente a TODO o tempo que eu fiquei no estacionamento DE NOVO. E eu soluçava e explicava e ele repetia que eu tinha que pagar tudo. Ameacei colocar a prédia na chon e foi aí que veio o animal que sabia da situação, avisar que eu não tinha que pagar nada não, já que tinha avisado na central.
¬¬
Agora, melbem, é tarde.
Quando eu finalmente cheguei no dirija-através do querido’s, não conseguia nem respirar. Fiz lindas mímica pra explicar quantas esfihas de espinafre e quantos suco de laranja eu queria. Paguei e fui pra janelinha onde busca o pedido e fui recebida com um copo de água e um moço muito prestativo, que tentou me acalmar. Nem contei pra ele que tava chorando por bobagem, né? Num sô loca.
E cê vê: tô aqui, com o bucho cheio de esfiha, sem banho, com sono, com os olho ardido (e que vão acordar amanhã do tamanho de duas bolas de tênis), fazendo piada da desgraça própria.
Porque esse lance do fusca é um saco? É. Mas digamos que hoje esse é menor dos dramas da minha vida. [/mariadobairro]
O engraçado (not) é que eu sempre tô sozinha quando essas coisas acontecem. Aí muito realizei que é porque eu tô sozinha SEMPRE. Tenho essa mania infeliz de não gostar de ninguém dando palpite nas minhas coisas e nos meus passeios, aí nunca tem ninguém por perto. Nem pro bem e nem pro mal.
E eu vos digo: esse tempo todo que tô aqui falando bobagem pra acalmar meu eu interior – te juro, não tomei nenhuma valeriana neste dia e não é fácio -, na verdade eu só queria uma coisa.
Colo.
Fim.

Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
20.10.10
inconsistências
Eu não gosto que as pessoas saibam da minha vida.
Irônico, não?
Eu sei, mas é verdade.
Veja bem: eu comecei a escrever em blog numa época em que eu perdi amigos. Eu tinha uma turma de amigos e tinha a esquisita, de quem todo mundo tinha medo, por quem todo mundo passava rindo. Vanessa de Calcutá foi lá, conheceu a garota, viu que não era tão ruim assim e introduziu no grupo. E afirmava que era seguro mantê-la por perto pra cada nova pessoa que surgia. Um dia, quando o grupo era grande e lindo, a esquisita foi lá e apunhalou Vanessa – a otária pelas costas e, o mais impressionante, todo mundo ficou do lado dela. Sem ter a quem recorrer, tcharam, a internet tava ali, por que não?
(Mil e um motivos porque não, né? Mas a gente sempre escolhe aquele um que justifica a estupidez.)
O engraçado é esse meu histórico de enfiar alguém no grupo e ser expelida dele por culpa justamente desse indivíduo, mas esse não é o assunto de hoje.
O caso é que eu só falo da minha vida aquele tanto suficiente pra poder tagarelar infinitamente. As coisas que fazem o dia passar mais depressa. Sei lá se é culpa dessa minha incapacidade de confiar nas pessoas (eu tenho motivos, nem vem), mas o fato é que do que eu sinto, penso e acho importante, NINGUÉM sabe.
Mentira, tem umas duas ou três pessoas que sabem, elas sabem quem são, não é você.
Movin on.
Pois aí entra o blog. Às vezes eu não quero falar as coisas pra alguém. Como eu já escrevi aqui e em tantos outros lugares: eu não gosto de opinião. Eu sempre digo pra minha mãe que quando eu reclamo da vida, eu quero só apoio moral. “Você tem razão, que coisa chata”. Eu não quero achar solução, não quero mudar a situação. Eu quero só conforto.
E, às vezes, eu acho conforto escrevendo.
Eu poderia escrever e não publicar. Isso acontece muitas vezes, quando eu acho que alguém pode não entender o que eu escrevi (porque olha, às vezes eu acho que tá tudo escrito à prova de erros e me vem um doido entendendo tudo errado, contextualizando tudo torto e muito me dá vontade de me rasgar em 418 pedaços). Mas que graça tem? Eu gosto da sensação de saber que pelo menos uma pessoa leu. Sei lá que tipo de defeito no ego causa isso, mas eu gosto, me deixa.
O primeiro endereço, no pain no gain, era uma ode a F.N. (do post anterior). Que eu sou birrenta ninguém duvida e F.N. me enlouquecia com essa bendita frase a cada vez que eu reclamava. De qualquer coisa. Eu ODEIO essa frase com todas as forças do meu cérebro. Que mané mania de achar que tem que sofrer pra merecer recompensa. EU QUERO ARCO-ÍRIS SEM CHUVA, providencie. Isso aí é fruto de muita auto-ajuda, não é possível.
Mas o endereço “atual” (hahaha quem eu quero enganar?), milarga, é uma tentativa desesperada de fazer as pessoas entenderem que é pra.me.largar. Vamo parar de opinar, sugerir, insinuar? Se eu quiser, eu peço.
E eu super vou pedir uma coisa agora.
Porque assim, o blog começou anônimo. Não tinha assinatura, não tinha meu nome, não tinha absolutamente nada que ligasse a mim. Aí uma pessoa achou, outra achou, mais uma, minha mãe. Aí cabô, né? Não sei se cheguei a colocar o link no orkut (aliás, se tem uma coisa que eu não curto nessa vida é sair linkando uma coisa na outra, de modo que nego ache uma e automaticamente ache todas as outras, vamo dar trabalho pros stalkers?), mas hoje em dia todo mundo que me conhece acaba lendo, uma hora ou outra.
Assim, eu nem ligo que vocês leiam. Sério. O que eu não gosto é de perceber que vocês estão lendo.
Calma, deixe-me ser mais específica.
Muitas vezes eu pensei em sumir com essas caixinhas de comentários. Mas aí onde as pessoas comentariam? No meu email. No mundo real. (acontece todas as vezes que as caixinhas somem).
Mas se eu não falei sobre isso no mundo real, um motivo eu tinha. E normalmente é justamente não querer falar a respeito! Eu queria somente e só MONOLOGAR a respeito.
Então fica combinado: você leu algo aqui, fique à vontade pra fazer um trilhão de comentários, floodar minha caixinha. Mas, pfv, não me pergunta nada IRL. Tamo combinados?
(você também, mãe.)
Beijo.
Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
12.10.10
crazy little thing called affection
Eu me casei com um A.L. no maternal, porque ele conseguiu abrir minha garrafinha da lancheira da mulher maravilha, quando ninguém mais conseguia.
Eu fui noiva na festa junina da terceira série, de um S.O., meu namorado, porque ele disse que me amava e eu tive medo que ele tivesse uma crise de bronquite se eu dissesse que gostava mesmo era de C.E.. Eu e C.E. vivemos num romeuejulietismo bem ridículo pra duas crianças de 8 anos.
Eu disse não quando R.C. me pediu em namoro na sexta série, porque jurava que era mais um babaca tentando fazer piada com a minha falta de características femininas. O problema é que R.C. povoava todos os meus pensamentos e estava falando sério. Pediu transferência da escola dois dias depois. Nunca mais tive notícia e o infeliz tem um trilhão de homônimos. Jamais verei novamente.
Levei o fora mais delicado do universo na oitava série, quando J.P. pegou na minha mão, me levou até o cantinho da sala (no meio de uma aula de matemática) e disse que o negócio dele era vídeo game, mas queria poder continuar andando de bicicleta comigo nas quintas-feiras.
E depois disso, eu meique matei meu coração. Haja talento pra fazer tudo errado.
Foi no meio dessa crise existencial, que eu estava tendo enquanto descia a rua, que ouvi alguém gritando meu nome. Era A.B., dentro de um ônibus, desesperado pra acenar pra mim. E aí meu coração deu uma apontadinha marota pro meu cérebro, enquanto ria e dizia “hahaha, eu que mando”. Deste dia em diante, A.B. morou no meu coração por 8 anos.
gestão 1990-2000
Eu acho que fica mais fácil se a gente separar em blocos de 10 anos. Dá tristeza porque *spoiler* serão 3 blocos e isso vai fazer parecer que eu tenho 40 em vez de 30 (ah, que alívio, SÓ 30). Mas é assim. De 10 em 10 anos, eu tenho um *grande afeto*.
Acontece que eu nunca tive muita paciência pra amor platônico. Fui lá e falei com ele – com toda sutileza que os 14 anos permitem. A.B. tava numas de aproveitar a vida e achava que não servíamos pra amizade colorida. Vivíamos juntos, mas ele sempre fazia questão de aparecer com alguém na minha frente.
E como a gente não tem o poder de fazer ninguém gostar da gente (tô nem falando de feitiço, tô falando da minha personalidade estragada mesmo), segui a vida. E posso dizer que, depois de um tempo, já nem doía mais ver A.B. com outras. Era segurando a minha mão que ele via sessão da tarde em dias de chuva. Entende? E eu tava feliz com isso.
Tive lá meus 28347569238745 casos, quebrei uns corações, quebrei a cara, quebrei copos nas cabeças das pessoas. Mas toda vez que *pensava* em sofrer, lembrava que amor mesmo era o que eu sentia por A.B. e isso estava em segurança. Ou seja: sofrer pelo fulano #8427 por quê? Era só mais uma forma de passatempo na minha vida.
Ficamos nessas idas e vindas que não são por sete fucking anos. Até o dia em que ele disse “acho que chegou a nossa hora”, mas saiu da festa com outra. Até hoje eu não sei o que aconteceu, nem quero saber. Mudei de cidade, de estado, de vida e passei 365 dias sem comunicação.
Mas o engraçado foi que eu não perdi o “amorômetro”. Sabe quando você pensa que gosta de alguém, aí compara: mas E SE fulano (A.B., neste caso) aparecesse agora e me pedisse pra ir com ele? Se a resposta fosse sim, eu sabia que a pessoa na minha frente não significava nada. E A.B. continuou sendo minha prova real no amorômetro.
Até o dia em que a gente finalmente se reencontrou. E foram hooooras de conversa, até que o platônico virasse real. O surreal foi que, pra mim, serviu de ponto final. Daquele momento em diante, a resposta não era mais sim no amorômetro quando a prova real era ele. Ele demorou um pouco mais pra desapegar, mas hoje somos bons amigos. Tem em algum lugar do meu diário, em fevereiro de 2000, que A.B. era tudo que eu esperava e muito mais. Mas o timing tava errado, a vibe tinha passado e que o que aconteceu foi o suficiente pra história ter um ponto final.
gestão 2000-2010
Esse período foi nebuloso. O mais platônico dos amores platônicos, o apito mais alto que meu amorômetro já deu na vida. 10 anos inteiros em que a resposta pra pergunta “se F.N. aparecer te pedindo pra largar tudo e ir com ele, você vai?” foi sim, sem nem um segundo de dúvida.
No dia em que nos conhecemos, eu podia jurar que F.N. era o cara mais babaca da face da terra. Fez questão DEMAIS de mostrar que era importante, amado, idolatrado, salve salve, você-não-significa-nada-pra-mim. Aí, numa bipolaridade linda, no dia seguinte ficou 3 minutos parado em frente a uma porta, só pra abrir pra mim quando eu finalmente resolvi passar.
Sabe, acho sexismo uma coisa muito da mongolóide, mas não resisto a um cavalheirismo. Aquela coisa que sutil, que mostra um lado delicado do homem, sabe? E F.N. era mestre no cavalheirismo. Não foi fácil.
Acontece que F.N. era casado. E homem casado: não trabalhamos. Fiz todo o esforço do universo pra ficar na minha. Mas F.N. um dia resolveu falar de como eu era inteligente e como estava impressionado com a minha linha de raciocínio. E no meio dos discursos na linha “não gosto de ninguém”, ficava reforçando o apreço pela minha pessoa. Assim dificulta a vida.
Mas eu sou uma pessoa forte e de princípios (pode rir, nem tô zuano). E resisti bravamente. Há alguns episódios marcantes da nossa história, mas que contar só traria uma tristezinha da minha parte e curiosidade das suas.
O que eu posso dizer é que F.N. me levou ao limite. Mil vezes por telefone (F.N. defendia a privacidade com unhas e dentes, mas me ligava com freqüência e pedia que eu fizesse o mesmo). Uma vez num almoço. Uma vez num jantar. Uma vez numa festa. E, por último, no meu ambiente de trabalho.
Ainda me lembro claramente do dia em que ele me ligou e perguntou se poderia ir até lá. OITO HORAS DA MANHÃ. Chegou antes das 9h. E eu, com a cara colada na janela virada pro estacionamento. F.N., numa das raras aparições sem terno e gravata, achou prudente me visitar vestindo bermuda, camisa pólo e tênis.
Falou o que precisava, falou da vida, inventou assunto. Quando se despediu, eu disse:
- acho que essa é a última vez que vamos nos ver.
Ele prometeu que não, mas entendeu o que eu quis dizer. E, de novo, eu colei o nariz na janela, pra vê-lo indo embora. Ainda olhou mais uma vez antes de entrar no carro.
Vi F.N. uma última vez na escada rolante de um shopping. Ia fingir que não vi, quando ele chamou meu nome e pediu pra que eu esperasse até que ele descesse até o andar aonde eu estava indo. Eu poderia reproduzir 100% do diálogo que aconteceu ali. Tudo tão formal e dito com tanto cuidado que chegou a machucar. Nos despedimos e então eu nunca mais o vi. (Nunca mais passei nem perto dessa escada.)
Não foi uma e não foram mil as vezes em que eu tive que me controlar pra manter essa falta de contato. Mas fui bem sucedida. Achei que F.N. jamais passaria na minha vida.
gestão 2010~
A razão pra tanta divagação é, provavelmente, culpa de uma noite dessas.
Porque, veja bem, se tem UM problema que eu não tenho, esse problema é insônia. Algumas crises de alergia perturbam meu sono, algumas idéias fixas me fazem acordar no meio da noite, cochilos infinitos no meio da tarde às vezes fazem com que eu leve uns 15 minutos pra começar a dormir. Mas noites em claro, dificuldades pra voltar a dormir, ser acordada por barulhos ou falta de sono não fazem parte da minha vida.
Mas dia desses eu não conseguia dormir. Consegui por poucas horas, mas a chuva me acordou. E o sono foi embora por muito tempo. Foi então que eu olhei pro lado e me perguntei: se F.N. por alguma razão cósmica me ligasse justamente agora e quisesse me tirar daqui, o que eu diria?
Deixei cair uma lagriminha solitária quando me dei conta de que a resposta seria não.
E é tudo o que eu vou falar sobre isso.
(Querido cupido – ou qualquer que seja a entidade responsável pelo so called love: por favor, não me faça sofrer por mais 10 anos. Serei velha, terei 40 e minhas esperanças terão acabado. Obrigada. Um beijinho.)
Vanessa ♥ Jolie
milhões de abobrinhas:
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