It is always about ME

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Se eu fosse querer me descrever "decentemente", acho que seria chata como a maioria das pessoas. Sabe, naquele esquema “ah, eu sou o máximo, todo mundo me adora, sempre fui a mais inteligente da turma, a líder da galera dumal, a mais divertida, diferente, interessante, legal e divertida.” Pffff!

Se eu fosse mesmo, teria 9348570349685 testemunhos comprovando isso e não precisaria de recadinhos mal educados pelo perfil. Eu sou mêmo é um porre!

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Eu sou toda errada. Mas meus pais são perfeitos. Sabe aqueles que todo mundo diz pra você que queria ter? São os meus. Bonitos, inteligentes, modernos, carinhosos... se eu cobrasse aluguel, tava rica. O telefone lá de casa toca muito mais pra eles que pra mim.

Bonita, eu? No máximo em algumas fotos em que eu dei sorte. Mas meus irmãos são lindos. Por dentro e por fora. Tanto que tem até gente que imita, copia foto, apelido, roupas e jeito de falar. Não duvido que muita gente queira estar no meu lugar.

Eu não sou especial. Mas o homem da minha vida vai ser. Como tudo que me faz feliz, se a definição de superlativo tivesse uma foto, seria a dele. Carinhoso, inteligente, divertido, liiiiindo! A melhor parte da minha vida, o dono de cada batida do meu coração. Apesar de não ter nada demais, tenho muita sorte. Não é qualquer uma que tem um namorado que pode chamar de perfeito. Em todos os detalhes.

Eu sou esquisita. Uma pessoa que não faz questão de colecionar amigos. Mas os 3 ou 4 que eu tenho são o máximo. Gente que conversa sem restrições, que diz o que pensa sem medo de estragar tudo, que ri, que fala sério, que fica meses longe e quando encontra parece que foi ontem. Gente que sabe que amizade é muito mais que exigir. Até meus animais de estimação são demais pra mim. Os mais fofos, engraçados, inteligentes e fiéis.

Tudo que eu tenho é incrível. Uma pena que eu não seja tão espetacular quanto o que me cerca. Que eu não seja incrivelmente inteligente, que não goste de me aparecer usando vocábulos abstrusos. Que eu não seja tão linda quanto essas pessoas que podem usar roupinhas exibidas. (Que por ser tão estranha, eu nem gosto.) Que eu não seja tão diferente a ponto de chamar a atenção no meio de uma multidão. Que eu não choque as pessoas com o meu comportamento, com o meu visual ou com as minhas palavras de pós-aborrescente rebelde. Que eu não seja despreocupada o suficiente pra viver com cara de boba alegre. Que eu não seja irresponsável o suficiente pra ser divertida como as outras pessoas. Que eu não seja inconseqüente pra chamar a atenção...

Então enquanto eu não me tornar uma pessoa tão interessante quanto as outras, melhor nem falar sobre mim...




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Gettin’ In The Mood
Já Matei Por Menos
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Sorveteria
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Tá Ruim Tá Ótima
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14.8.09

óculos, frescuras, ortografia e superpoderes
não necessariamente nessa ordem

Óculos é uma palavra que eu tenho birra de usar. Porque mesmo quando é um, é no plural. Acho que seria muito válido estabelecer que UM PAR de óculos é um objeto só e a gente poder ficar livre pra dizer “meu óculos”. Meus óculos parece coisa de véio. Meu óculo é uma coisa que eu NUNCA ouvi na vida. Meu par de óculos gasta muitos caracteres. Que dificuldade! Vamo tudo falar meu óculos e ser feliz. Ninguém sabe escrever direito mesmo, então não tem pobrema.

***

Eu resisti por muito tempo à idéia de usar óculos escuros. Uma aflição sem tamanho aquele troço na cara, apoiado no nariz, machucando a orelha, apertando a cabeça! Mas meus pobres zóios geneticamente sensíveis à luz não conseguiam mais ficar abertos em ambientes externos. Sucumbi.

Mas eu sou uma pessoa deveras chata [ah, jura?] e não achava um modelo que me agradasse. E isso é realmente muito difícil segundo revistas femininas, já que pessoas com formato de ovo tendem a poder usar praticamente todo tipo de óculos. Depois de milhões de tentativas frustradas, um par pertencente à minha linda mamãe ficou perfeito. E eu vivi feliz pra sempre com um par de óculos [inferno!] perfeito.

FIM.

Mentira.

Um dia, um cerumano passando por uma grave crise de depressão caiu no choro por não achar um mísero par de óculos que ficasse bom, colocou o meu no rosto e... PLIM! Apaixonou-se-se. Você consegue tomar docinho de criança? Eu não. Ficou ela lá o com o zócro que não deve ter usado mais que 5 vezes e eu de volta à missão.

Passei por um par marrom (não sei o que me deu) que tinha uma rosinha de metal “esculpida” na perna da armação (eu MUITO não sei o que me deu). Passei por um par que custou o zóio da cara – o que é uma coisa muito incoerente, já que se eu não tiver olhos não preciso de óculos ha ha -, tive um par comprado no camelô e testado em maquininha de proteção pro olho (e funcionava perfeitamente), tive um par da chilli beans que foi abandonado depois de precisar ir pro conserto TODO SANTO MÊS por afrouxar os parafusos. E na última vez em que eu fui lá, uma mocinha de gosto fashion duvidoso ficou me chamando de gata e tentando conseguir meu telefone e vender uma caixinha cor de rosa. Alguns dias depois, um calega ainda derrubou o pobrezinho no chão e quebrou a lente (e não se ofereceu pra pagar o estrago, claro). DESISTI.

Foi quando resolvi assumir meu mau gosto vintage e adquiri um par que escondia meio rosto, com uma lente tão escura que dava pra encarar ozotro sem medo de ser feliz. Aí começou o drama. Meus novos óculos [argh] me faziam sentir quase uma Sthefany de tão absoluta. Vivia com ele no rosto. Até que um dia ouvi um estalo, senti um arranhado e, quando fui conferir, ele tinha estourado no meu rosto. Assim, sem mais nem menos. Aquele pedaço da armação que fica em volta da lente simplesmente arrebentou entre os olhos e os óculos desmontaram na minha mão.

Ok, vamo seguir a vida, tão simples encontrar um modelo novo, né? E eu, enquanto pessoa com toc, tenho pobremas SÉRIOS quando gosto de uma coisa. De modo que percorri o mundo atrás de um par que fosse o mais parecido possível com o anterior. Achei. Comprei. Usei. E um dia, sem novo aviso, POF, estourou no meu rosto mais uma vez. Quebrou a parte da armação que sustenta a lente. Que afundou na minha bochecha e fez um lindo corte. Assim, no meio da rua. Assim, sem uso das mãos. Um estouro DO NADA.

Aí eu passei na frente de uma loja e comprei um óculos [hahaha me processa!] de 12 real só porque tinha parafusos em forma de estrelinha.

FIM.

Mentira.

Eu não tava contente, sabe? Estrelinhas muito me alegram, mas aquele modelo não tava ornando. Foi quando achei uma loja muito simpatiquinha que vendia óculos grandões lindões e baratinhos. Oito horas e meia lá dentro e saí com um par, tipo assim, perfeito. Coloquei no rosto, corri pro estacionamento, coloquei uma Etta James pra tocar no carro, abri as janelas e me senti linda e poderosa pelas ruas da cidade. Acho que esse par durou uns 4 meses, até que, indo ao mesmo shopping onde ele foi adquirido ele...

ESTOUROU NO MEU ROSTO.

Gente, sério. Eu tava lá, reclamando da vida, falando mal das pessoas e ouvi um estralo no meu ouvido direito. Achei que era uma pedrinha atingindo o vidro do carro. Mas NÃO. Porque logo em seguida veio o arranhão característico no rosto. E a perna do óculos partida em TRÊS pedaços. Taquei pela janela, né? Fúria intensa.

Entrei no shopping e parti veloz pra loja. Modelo esgotado. De novo eu percorrendo o mundo atrás de um par de óculos. Shoppings, óticas, tudo. Não achei. Resolvi ir até o camelô, né? Já que esses troços explodem na cara, vamo comprá um baratinho. Nada me agradava, niqui minha mãe - mãe marlegal do mundo, devo dizer – grita que achou. O mesmíssimo modelo, por milhares de dinheiros a menos que o irmão explodido. Comprei, né? Tamo aí contando quanto tempo vai durar.



TÔ MUNYTAH?


FIM.

Verdade.




Vanessa ♥ Jolie

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